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DESABAFO DIGITAL

DESABAFO DIGITAL
 
Cansei do feicebuque e do tuíter,
por isso agora vou mudar de tom.
Vou parar de assinar com ponto com.
Não quero ser tratado como mister.
 
Cansei de dar dinheiro pro Bill Gueites
Cada vez que seu uíndous eu acesso.
Vou encarar de frente este progresso.
E espero, amor, que assim me aceites.
 
Vou procurar a Agência dos Correios
pra redigir um telegrama urgente,
cujo texto, eu acho que promete:
 
“Caríssimo internauta, eu pus os freios
Na rede mundial, que é tão potente:
eu quero que se dane a Internet!”.
 

EROTISMO DIGITAL
 
Pega leve, meu bem, toma sentido,
Toma cuidado, seja precavida.
Pensa nos filhos, pensa no marido.
Cuidado que tem câmera escondida.
 
Não precisa baixar essa calcinha.
Não precisa soltar o sutiã.
Toda essa iniciativa é só minha.
Nem precisa ajeitar esse batom.
 
E assim falando, o nobre deputado,
Vai maços de dinheiro colocando,
nas meias, na cueca, aqui e ali.
 
Enquanto ela, com tudo já guardado,
ajeita a saia e vai se levantando,
sem se preocupar com CPI.
 
 

DESABAFO DIGITAL
 
Cansei do feicebuque e do tuíter,
Por isso agora vou mudar de tom.
Vou parar de assinar com ponto com.
Não quero ser tratado como mister.
 
Cansei de dar dinheiro pro Bill Gueites
Cada vez que seu uíndous eu acesso.
Vou encarar de frente este progresso.
E espero, amor, que assim me aceites.
 
Vou procurar a Agência dos Correios
pra redigir um telegrama urgente,
cujo texto, eu acho que promete:
 
“Caríssimo internauta, eu pus os freios
Na rede mundial, que é tão potente.
Eu quero que se dane a Internet”.
 

EROTISMO DIGITAL
 
Pega leve, meu bem, toma sentido,
Toma cuidado, seja precavida.
Pensa nos filhos, pensa no marido.
Cuidado que tem câmera escondida.
 
Não precisa baixar essa calcinha.
Nem precisa soltar o sutiã.
Toda essa iniciativa é só minha.
Nem precisa ajeitar esse batom.
 
E assim falando, o nobre deputado,
Vai maços de dinheiro colocando,
nos bolsos, na cueca, aqui e ali.
 
Enquanto ela, com tudo já guardado,
ajeita a saia e vai se levantando,
sem se preocupar com CPI.

NO OCEANO PACÍFICO, “BOLHA” DE PLÁSTICO É MARCA DO HOMEM

por EDUARDO WAGNER
Durabilidade, estabilidade e resistência à desintegração. As propriedades que fazem do plástico produto de grande utilidade também o tornam um dos maiores vilões ambientais. São produzidos anualmente cerca de 100 milhões de toneladas de plástico e cerca de 10% do total acabam nos oceanos. Destes, 80% são originários da terra firme.

No oceano Pacífico há uma enorme camada flutuante de plástico que já é considerada a maior concentração de lixo do mundo, com cerca de 1.000 km de extensão. Vai da costa da Califórnia a meio caminho do Japão, com uma profundidade de mais ou menos 10 metros .

Acredita-se que haja neste vórtex de lixo cerca de 100 milhões de toneladas de plástico de todos os tipos.

Pedaços de redes, garrafas, tampas, bolas , bonecas, patos de borracha, tênis, isqueiros, sacolas plásticas, caiaques, malas e todo tipo de plástico. Segundo seus descobridores, a mancha de lixo – ou sopa plástica – tem quase duas vezes o tamanho dos Estados Unidos.

O oceanógrafo Curtis Ebbesmeyer, que pesquisa esta mancha há 15 anos, compara o vórtex a uma entidade viva, um grande animal se movimentando livremente pelo Pacífico. Quando passa perto do continente a mancha causa praias cobertas de lixo plástico de ponta a ponta.

A bolha plástica atualmente está em duas grandes áreas ligadas por uma faixa estreita. Referem-se a elas como bolha oriental e bolha ocidental. Um marinheiro que navegou pela região no final dos anos 90 disse que ficou atordoado com a visão do oceano de lixo plástico à sua frente. ‘Como foi possível fazermos isso?’ – ‘Naveguei por mais de uma semana sobre todo esse lixo’.

Pesquisadores alertam para o fato de que toda peça plástica que foi manufaturada desde que descobrimos este material e que não foi reciclada ainda está em algum lugar do planeta. Acrescente a isso o problema das partículas decompostas de plástico. Segundo dados de Curtis Ebbesmeyer em algumas áreas do oceano Pacífico pode se encontrar uma concentração de polímeros até seis vezes maior que a de fitoplâncton, base da cadeia alimentar marinha.

Segundo o PNUMA, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, este plástico é responsável pela morte de mais de um milhão de aves marinhas todos os anos. Sem contar toda a fauna que vive nesta área, como tartarugas marinhas, tubarões e centenas de espécies de peixes.

Essa sopa plástica pode funcionar como uma esponja que concentra poluentes persistentes. Ou seja, qualquer animal que se alimenta nestas regiões pode ingerir altos índices de venenos que acabam introduzidos, através da pesca, na cadeia alimentar humana, tornando verdadeira a afirmação de que o que fazemos à Terra acaba tendo impacto sobre nós, seres humanos.

Fontes: The Independent, Greenpeace e Mindfully

MUITA DROGA, MUITO SEXO E ROQUENROL.

Artigo
SAUDADE DO FAUSTO WOLFF
UM DE SEUS BRILHANTES ARTIGOS PUBLICADO NO ANO DE SUA MORTE.

Muita droga, muito sexo e roquenrol

Talvez a imprensa brasileira tenha um único aspecto positivo:

se a vida pessoal do poderoso de plantão (não importa a máfia de origem) não perturbar demais a vida do país e de seus habitantes, ela é deixada em paz.

Somos latinos, católicos, filosoficamente mais cínicos (e menos hipócritas que os puritanos), e todos sabem que tivemos até papas fratricidas, incestuosos, assassinos, drogados e genocidas.

Que eu lembre, Getúlio recebia visitas das principais vedetes do teatro de revista da época. Dutra conformara-se com o fato de sua cara não atrair ninguém. Juscelino era pé-de-valsa e namorador. Jango era mulherengo desde garotinho, enfim… o resto é sabido. Lula nos deu de presente oito anos de FHC, pois não soube responder à altura as provocações de Collor, que o acusava de ter uma amante em Brasília. Foi muito amadorismo do torneiro mecânico, dono de um avião de R$ 70 milhões e que nos brindou com o direitismo de esquerda.

Esse não meter-se na vida pessoal das pessoas – por preguiça ou caráter – é sem dúvida uma virtude. Em mais de 50 anos de jornalismo, jamais mencionei nada sobre a vida pessoal de quem quer que fosse, pois me interessa o que patifes fazem no poder e não na cama ou no bar. Não era certamente sobre isso que eu pretendia falar.

Mas como tenho que dar uma rechecada no cuore ingrato e fibrilato, decidi dar uma certa ordem literário-jornalística a algumas anotações sobre sexo, segundo Freud a mola que move a humanidade. Confesso que já tive mais interesse no assunto (um interesse até exagerado, diria), quando as mulheres também se interessavam por mim.

Sério, hoje em dia, se uma jovem se assanhar, como disse outro dia, terá de declarar isso com a cara muito séria. Não sou velho assanhado da porta da Colombo e nem de outra porta qualquer. Ando tão gordo e tão feio que sou capaz de mandá-la escrever isso de próprio punho, assinar e depois registrar em cartório.

Já a imprensa americana gosta de guerra, sexo e poder, nessa ordem. Se as coisas estiverem embaralhadas, melhor ainda. Isso, porém, quando o homem do poder dá bandeira, quando faz pipi fora do penico. Coitado do Clinton. Quase mata algumas centenas de milhares de árabes e kusovários da Bósnia para provar que seu eufemismo não era íntimo da metáfora de Mônica Lewinsky.

Entretanto, Nova York teve recentemente um prefeito declaradamente homossexual que – como era discreto e mantinha sua vida particular longe dos olhos do público – nunca foi incomodado pela imprensa. O problema é que, em matéria de sexo, drogas e roquenrol, americano dá muita bandeira. Povinho estranho.

Primeiro mataram os índios, depois os franceses, em seguida os ingleses e, um século depois, mataram-se entre si. Para o trabalho pesado e tiro ao alvo, tinham negros. Como os negros, porém, procriavam (e procriam) com muita rapidez, não deu para matá-los todos. Os que sobraram – os que não se submetem como Condoleeza Rice e Colin Powell – continuam dando problemas.

Problemas periféricos, pois sempre que surge um líder negro forte e capaz de insuflar a revolta, o FBI aparece com algumas centenas de quilos de cocaína, que distribui gratuitamente pelos guetos afro-americanos. E tudo volta ao normal, ou seja, ao anormal.

Como eu ia dizendo, corria solta a Primeira Guerra Mundial e a imprensa não ligou para os encontros amorosos de Woodrow Wilson com a amante Mary Hulbert Peck. Roosevelt, porém, não conseguiu esconder que sua amante e secretária Missy Lehand também vivia na Casa Branca. Mais sofreu sua mulher, Eleanor. Não porque o marido e primo tivesse uma namorada, mas porque a imprensa revelou que ela era amante da secretária, Lorena Hickock, um dragão.

Kennedy, que, em usando saia, só perdoava escocês e padre, também se salvou da imprensa por causa da longa guerra fria. Por incrível que pareça, Reagan era monógamo. Não à toa a ex-mulher, a atriz Jane Wyman, comentou: “Foram os anos mais chatos de minha vida”. Nixon teve um único caso, que a mulher, Pat, logo descobriu e jogou água no chope. Johnson passou louco a maior parte do seu mandato, e Ford, se teve uma amante, nem ela se lembra dele hoje em dia.

Na América colonial, Lord Cambury, governador de Nova York, presidia a assembléia vestido de mulher. Quando reclamaram, ele disse:

- Pois se estou aqui representando a rainha da Inglaterra, tenho de representá-la do modo mais fiel possível, seus caipiras.

George Washington casou-se por dinheiro com Martha Dandridge, uma viúva de 28 anos, e manteve um caso com Sally Fairfax por mais de 25. Thomas Jefferson sempre condenou a escravidão, mas teve vários filhos com suas escravas.

O segundo filho de Quincy Adams morreu bêbado num apartamentinho sujo de Nova York, em 1800, e fez questão de jamais ver o pai enquanto ele foi presidente. O mesmo aconteceu com o caçula, Thomas, que também morreu de porre. John Quincy, o mais velho, foi eleito presidente e queria que o filho, George Washington Adams, seguisse as suas pegadas. Mas ele preferiu cheirar ópio e se matou aos 28 anos.

Andrew Jackson, que venceu a campanha para presidente em 1828, já vivia há 37 anos com a mulher, Rachel, quando descobriram que ela ainda era casada com outro. Matou-se sem ver a posse do marido, que não era seu marido.

James Buchanan, eleito em 1850, até os Bushs foi o mais corrupto dos governantes. E o único presidente homossexual assumido que os EUA já tiveram. Teve um caso durante 23 anos com o congressista William Rufus de Vane King, mais conhecido como “Miss Nancy”. A noiva verdadeira de Buchanan, Ann C. Coleman, se suicidou.

A mulher de Lincoln gastava mais dinheiro que Jacqueline Kennedy, mas tinha a desculpa de ser louca, e louca morreu num sanatório. O presidente Garfield, eleito em 1890, embora casado com Lucrécia Rudolph, tinha uma amante, a sra. Calhoun. Foi assassinado alguns meses depois da eleição.

O presidente Grover Cleveland, eleito em 1884, casou-se aos 50 com uma jovem de 21 anos. Tinha um filho bastardo mais velho que a esposa. Sobre Wilson já falei e passo direto para Warren Harding. Logo após jurar que seu passado era limpo, telefonou para a amante, Nan Britton, com quem tinha um filho, e mandou-a fazer um cruzeiro. Telefonou para seu velho amigo Jim Phillips, cuja mulher desfrutava há anos, e mandou-o fazer outro cruzeiro, outra rota. Depois começou a campanha vitoriosa ao lado de Florence, sua mulher legítima. Roubou vergonhosamente.

Durante a Segunda Guerra, Eisenhower teve um caso com o chofer. Calma! Era uma motorista, a inglesa Kay Sommersby. Disse que deixaria o posto e voltaria aos EUA para divorciar-se da mulher e casar com a moça, que muitos anos mais tarde escreveria um livro chamado Meu caso de amor com Eisenhower. Mas os superiores de Dwight já tinham outros planos para ele.

O resto é coisa sabida: Edgar Hoover gostava de se vestir de mulher e amou seu assistente, Clay, durante mais de 30 anos. Carter quase perdeu a eleição por causa dos porres do irmão mais moço, Billy. Reagan escondia o único filho homem, Júnior, e sua vida de bailarina.

Como vocês vêem, a imprensa americana, se o poder escorrega em público, não perdoa. A nossa só expõe roupa suja que já tenha sido lavada em público, como a história da moça que, depois de confiscar o dinheiro do povo, foi dançar Besame mucho com o ministro da Justiça.

Por Fausto Wolff,

VIVA O PARTIDÃO!!!

O Partidão abrigou o que exisitiu de melhor na cultura brasileira. De relance basta citar Portinari, Mário Lago, Dias Gomes, Oduvaldo Viana (pai), Vianinha, Niemayer, Eneida, Nice da Silveira, Jorge Amado, Maurício Azedo, Milton Coelho da Graça, Élio Gaspari, Carlos Vereza, Caio Prado Júnior e Nelson Wernek, entre dezenas de outros. Foi durante uma greve no porto de Salvador, durante o carnaval, que os estivadores, para chamar atenção ao movimento, fizeram turbantes com sacos de trigo e sairam em bloco. Estava nascendo os Filhos de Gandhi. O Partidão ajudou também na criação do CPC da UNE, do qual eu participei. Carlinhos Lyra, José Wilker e Arnaldo Jabour, militantes na época, podem contar melhor essa e outras histórias.
Na década de 60 ouvi a história da fundação contada por Astrogildo Pereira, um dos nove fundadores. E como foi procurar o Prestes, exilado na Bolívia, quando ouviu falar pela primeira vez em Marx, embarcando depois para Moscou. O Partidão mais que uma agremiação, foi uma grife política. Tem assento marcado na história do Brasil.

A HISTÓRIA…. AH! A HISTÓRIA

Historinha que me envia o cientista político Cyro Junqueira para ilustrar a tese de que nem sempre a história que conhecemos se passou daquele jeito. Principalmente em um certo país.

Judy Wallman é uma pesquisadora na área de genealogia nos Estados Unidos. Durante pesquisa da árvore genealógica de sua família deu de cara com uma informação interessante.

Um tio-bisavô, Remus Reid, era ladrão de cavalos e assaltante de trens.

No verso da única foto existente de Remus (em que ele aparece ao pé de uma forca) está escrito:

“Remus Reid, ladrão de cavalos,mandado para a Prisão Territorial de Montana em 1885, escapou em 1887, assaltou o trem Montana Flyer por seis vezes. Foi preso novamente, desta vez pelos agentes da Pinkerton, condenado e enforcado em 1889.”

Acontece que o ladrão Remus Reid é ancestral comum de Judy e do senador pelo estado de Nevada, Harry Reid. Então Judy enviou um email ao senador solicitando informações sobre o parente comum. Mas não mencionou que havia descoberto que o sujeito era um bandido.

A atenta assessoria do Senador respondeu desta forma:

“Remus Reid foi um famoso cowboy no Território de Montana.

Seu império de negócios cresceu a ponto de incluir a aquisição de valiosos ativos eqüestres, além de um íntimo relacionamento com a Ferrovia de Montana.

A partir de 1883 dedicou vários anos de sua vida a serviço do governo,

atividade que interrompeu para reiniciar seu relacionamento com a Ferrovia.

Em 1887 foi o principal protagonista em uma importante investigação

conduzida pela famosa Agência de Detetives Pinkerton.

Em 1889, Remus faleceu durante uma importante cerimônia cívica realizada em sua homenagem, quando a plataforma sobre a qual ele estava cedeu.”

Não é sensacional?

RADIAÇÃO INOFENSIVA

O Mar do Japão está com os níveis de radiação 1.250 pontos acima do aceitável. Era a água que estava sendo jogada para resfriar os reatores, ou seja, estavam apagando o incêndio com gasolina.
Mesmo assim o governo diz que a fauna marinha não sofrerá qualquer dano. Tudo indica que no Japão surgiu um novo tipo de radiação que é inofensiva, segundo as autoridades, aos seres humanos, plantas e animais.
Enquanto isso as hortaliças plantadas na periferia de Tóquio, a mais de 200 km. dos vazamentos dos reatores, contem radiação. A água das torneiras também, as roupas, idem. Mas o governo japones prossegue dizendo que são níveis baixos e não oferecem riscos à saúde. Mesmo assim pede que não deem água da torneira aos bebês. E de hora em hora insistem em dizer que os níveis de radiação estão caindo e que tudo está sob controle, embora exista a suspeita de que os lençóis freáticos também estão sendo contaminados. Por trás das informações aparentemente ilógicas existe a grande preocupação de não levar o pânico à tão sofrida populaçao japonesa. Só em Tóquio são 19 milhões de pessoas no limite do medo.

ARMAS: FAZEMOS QUALQUER NEGÓCIO.

O supermercado de armas e sofisticados equipamentos eletrônicos, passando por aviões, carros de combate e tanques fabricados pelos gringos, funciona 24 horas, com entrega a domicílio. Bin Laden (cuja família tem prósperos negócios de petróleo com a família Bush na Arábia Saudita) foi armado pela CIA para combater a URSS na guerra do Afeganistão. Armas que passaram depois a Al Qaeda e para os talibãs, sendo usadas até hoje contra os EEUU.
Foi assim com o então aliado Sadam Hussein, na gestão do Bushão, armado pelo Hamsfield na guerra Iran-Iraque, armas que foram usadas depois para a invasão do Kwait.
E está sendo assim com a Líbia. Kadafi foi equipado em um passado recente com armamento ocidental super sofisticado. As armas que estão sendo utilizadas contra as ações da Aliança vieram todas do estoque capitalista.
Sem falar em casos mais escabrosos como os Contras e o Irangate e no abastecimento regular das milícias responsáveis por massacres de civís como o de Ruanda e outros genocídios em nações africanas, além dos arsenais do narcotráfico. Fazemos qualquer negócio.

O LODAÇAL LÍBIO

Que o ditador Muamar Kadafi precisa ser defenestrado, não há dúvida. Para felicidade do povo líbio e do Ocidente, ávido em sujar as mãos com o petróleo do país. É preciso mais grana para não parar o rico mercado armamentista. Mas será que os EEUU e seus aliados na Aliança não estão criando um atoleiro maior do que os do Afeganistão e Iraque, onde seus tanques estão atolados junto com seus parceiros britânicos? Basta lembrar que na Líbia vivem 140 tribos, unificadas a duras penas pelo ditador, Na base da porrada e obedecendo o sistema jurídico conhecido como “Lei do Cão”.

Mas dessas, quantas o apoiam? Quantas estão dispostas a aceitar o modelo democrático do ocidente? Quantas respeitarão as decisões da Aliança e da ONU? São perguntas que só poderão ser respondidas depois que Kadafi for derrubado e, sabe-se lá, com que tipo de governo que surgirá. E a coisa não para por aí. As tribos da Líbia não respeitam a divisão de países, desenhada na época da colonização e cruzam fronteiras. Se expandem para os vizinhos Egito, para Tunísia e Chade.

As tribos são como uma grande família. Os líbios recorrem a elas para reivindicar direitos, buscar proteção, para conseguir empregos, principalmente na estrutura do governo. O nepotismo é moeda de troca. Ou seja, o Ocidente pode esperar uma reação em cadeia promovida pelos beduínos que compõem a maioria da sociedade líbia e 10% de toda população do Oriente Médio. Com uma cultura totalmente antagônica aos valores ocidentais e alguns pontos em comum, como o nepotismo. Para prever o que poderá acontecer, basta dar uma olhada no Iraque de hoje. E ver a zôrra que virou.

.

A FILOSOFIA DO CAMELO

Uma mãe e um bebê camelo, estavam por ali, à toa, quando de repente o bebê camelo perguntou:
— Por que os camelos têm corcovas?
— Bem, meu filhinho, nós somos animais do deserto, precisamos das corcovas para reservar água e por isso mesmo somos conhecidos por sobreviver sem água.
— Certo, e por que nossas pernas são longas e nossas patas arredondadas?
— Filho, certamente elas são assim para permitir caminhar no deserto.
Sabe, com essas pernas longas eu mantenho meu corpo mais longe do chão do deserto que é mais quente que a temperatura do ar e assim fico mais longe do calor. Quanto às patas arredondadas, eu posso me movimentar melhor devido à consistência da areia! – disse a mãe.
— Certo! Então, por que nossos cílios são tão longos? De vez em quando eles atrapalham minha visão.
— Meu filho! Esses cílios longos e grossos são como uma capa protetora para os olhos. Eles ajudam na proteção dos seus olhos quando atingidos pela areia e pelo vento do deserto! – respondeu a mãe com orgulho.
— Tá. Então a corcova é para armazenar água enquanto cruzamos o deserto, as pernas para caminhar através do deserto e os cílios são para proteger meus olhos do deserto. Então o que é que estamos fazendo aqui no Zoológico???

Moral da história

Habilidade, conhecimento, capacidade e experiências, só são úteis se você estiver no lugar certo!

SE NADA DER CERTO, ABRA UMA IGREJA !

Vou abrir minha igreja e já volto!!!

- Folha de São Paulo.

Eu, Claudio Angelo, editor de Ciência da Folha, e Rafael Garcia, repórter do jornal, decidimos abrir uma igreja.
Com o auxílio técnico do departamento Jurídico da Folha e do escritório Rodrigues Barbosa, Mac Dowell de Figueiredo Gasparian Advogados, fizemo-lo. Precisamos apenas de R$ 418,42 em taxas e emolumentos e de cinco dias úteis (não consecutivos) . É tudo muito simples.
Não existem requisitos teológicos ou doutrinários para criar um culto religioso. Tampouco se exige número mínimo de fiéis.
Com o registro da Igreja Heliocêntrica do Sagrado Evangélio e seu CNPJ, pudemos abrir uma conta bancária na qual realizamos aplicações financeiras isentas de IR e IOF. Mas esses não são os únicos benefícios fiscais da empreitada. Nos termos do artigo 150 da Constituição, templos de qualquer culto são imunes a todos os impostos que incidam sobre o patrimônio, a renda ou os serviços relacionados com suas finalidades essenciais, as quais são definidas pelos próprios criadores. Ou seja, se levássemos a coisa adiante, poderíamos nos livrar de IPVA, IPTU, ISS, ITR e vários outros “Is” de bens colocados em nome da igreja.
Há também vantagens extratributárias. Os templos são livres para se organizarem como bem entenderem, o que inclui escolher seus sacerdotes. Uma vez ungidos, eles adquirem privilégios como a isenção do serviço militar obrigatório (já sagrei meus filhos Ian e David ministros religiosos) e direito a prisão especial.

LISTA DE IGREJAS ABERTAS NO BRASIL EM 2010 (até setembro)

- Igreja da Água Abençoada
- Igreja Adventista da Sétima Reforma Divina
- Igreja da Bênção Mundial Fogo de Poder
- Congregação Anti-Blasfêmias
- Igreja Chave do Éden
- Igreja Evangélica de Abominação à Vida Torta
- Igreja Batista Incêndio de Bênçãos
- Igreja Batista Ô Glória!
- Congregação Pass o para o Futuro
- Igreja Explosão da Fé
- Igreja Pedra Viva
- Comunidade do Coração Reciclado
- Igreja Evangélica Missão Celestial Pentecostal
- Cruzada de Emoções
- Igreja C.R.B. (Cortina Repleta de Bênçãos)
- Congregação Plena Paz Amando a Todos
- Igreja A Fé de Gideão
- Igreja Aceita a Jesus
- Igreja Pentecostal Jesus Nasceu em Belém
- Igreja Evangélica Pentecostal Labareda de Fogo
- Congregação J. A. T. (Jesus Ama a Todos)
- Igreja Evangélica Pentecostal a Última Embarcação Para Cristo
- Igreja Pentecostal Uma Porta para a Salvação
- Comunidade Arqueiros de Cristo
- Igreja Automotiva do Fogo Sagrado
- Igreja Batista A Paz do Senhor e Anti-Globo
- Assembléia de Deus do Pai, do Filho e do Espírito Santo
- Igreja Palma da Mão de Cristo
- Igreja Menina dos Olhos de Deus
- Igreja Pentecostal Vale de Bênçãos
- Associação Evangélica Fiel Até Debaixo DÁgua
- Igreja Batista Ponte para o Céu
- Igreja Pentecostal do Fogo Azul
- Comunidade Evangélica Shalom Adonai, Cristo!
- Igreja da Cruz Erguida para o Bem das Almas
- Cruzada Evangélica do Pastor Waldevino Coelho, a Sumidade
- Igreja Filho do Varão
- Igreja da Oração Eficiente
- Igreja da Pomba Branca
- Igreja Socorista Evangélica
- Igreja A de Amor
- Cruzada do Poder Pleno e Misteri oso
- Igreja do Amor Maior que Outra Força
- Igreja Dekanthalabassi
- Igreja dos Bons Artifícios
- Igreja Cristo é Show
- Igreja dos Habitantes de Dabir
- Igreja Eu Sou a Porta
- Cruzada Evangélica do Ministério de Jeová, Deus do Fogo
- Igreja da Bênção Mundial
- Igreja das Sete Trombetas do Apocalipse
- Igreja Barco da Salvação
- Igreja Pentecostal do Pastor Sassá
- Igreja Sinais e Prodígios
- Igreja de Deus da Profecia no Brasil e América do Sul
- Igreja do Manto Branco
- Igreja Caverna de Adulão
- Igreja Este Brasil é Adventista
- Igreja E..T.Q.B (Eu Também Quero a Bênção)
- Igreja Evangélica Florzinha de Jesus
- Igreja Cenáculo de Oração Jesus Está Voltando
- Ministério Eis-me Aqui
- Igreja Evangélica Pentecostal Creio Eu na Bíblia
- Igreja Evangélica A Última Trombeta Soará
- Igreja de Deus Assembléia dos Anciãos
- Igreja Evangélica Facho de Luz
- Igreja Batista Renovada Lugar Forte
- Igreja Atual dos Últimos Dias
- Igreja Jesus Está Voltando, Prepara-te
- Ministério Apascenta as Minhas Ovelhas
- Igreja Evangélica Bola de Neve
- Igreja Evangélica Adão é o Homem
- Igreja Evangélica Batista Barranco Sagrado
- Ministério Maravilhas de Deus
- Igreja Evangélica Fonte de Milagres
- Comunidade Porta das O velhas
- Igreja Pentecostal Jesus Vem, Você Fica
- Igreja Evangélica Pentecostal Cuspe de Cristo
- Igreja Evangélica Luz no Escuro
- Igreja Evangélica O Senhor Vem no Fim
- Igreja Pentecostal Planeta Cristo
- Igreja Evangélica dos Hinos Maravilhosos
- Igreja Evangélica Pentecostal da Bênção Ininterrupta
- Assembléia de Deus Batista A Cobrinha de Moisés(
- Assembléia de Deus Fonte Santa em Biscoitão
- Igreija Evangélica Muçulmana Javé é Pai – Igreja Abre-te-Sésamo
- Igreja Assembléia de Deus Adventista Romaria do Povo de Deus
- Igreja Bailarinas da Valsa Divina
- Igreja Batista Floresta Encantada
- Igreja da Bênção Mundial Pegando Fogo do Poder
- Igreja do Louvre – Igreja ETQB, Eu Também Quero a Bênção
- Igreja Evangélica Batalha dos Deuses
– Igreja Evangélica do Pastor Paulo Andrade, O Homem que Vive sem Pecados
– Igreja Evangélica Idolatria ao Deus Maior
- Igreja MTV, Manto da Ternura em Vida
- Igreja Pentecostal Marilyn Monroe – Igreja Quadrangular O Mundo É Redondo
- Igreja Pentecostal Trombeta de Deus (Samambaia -DF)
- Igreja Pentecostal Alarido de Deus (Anápolis -GO)
- Igreja pentecostal Esconderijo do Altíssimo (Anápolis -GO)
- Igreja Batista Coluna de Fogo (Belo Horizonte -MG)
- Igreja de Deus que se Reúne nas Casas (Itaúna -MG)
- Igreja Evangélica Pentecostal a Volta do Grande Rei(Poços de Caldas-MG)
- Igreja Evangélica Pentecostal Creio Eu na Bíblia (Uberlândia -MG)
- Igreja Evangélica a Última Trombeta Soará (Contagem -MG)
- Igreja Evangélica Pentecostal Sinal da Volta de Cristo (Três Lagoas -MS)
- Igreja Evangélica Assembléia dos Primogênitos (João Pessoa -PB)
- Ministério Favos de Mel (Rio de Janeiro -RJ)
- Assembléia de Deus com Doutrinas e sem Costumes (Rio de Janeiro -RJ)

(Aqui fica provado que é mais fácil abrir uma igreja do que um boteco.)

JORNALISMO, AS DELÍCIAS DA PROFISSÃO!

JORNALISMO, UMA PROFISSÃO MASSACRANTE.

Por Elaine Tavares.

O psicólogo, professor e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, Roberto Heloani, conseguiu levantar um perfil devastador sobre como vivem os jornalistas e por que adoecem. O trabalho ouviu dezenas de profissionais de São Paulo e Rio de Janeiro, a partir do método de pesquisa quantitativo e qualitativo, envolvendo profissionais de rádio, TV, impresso e assessorias de imprensa. E, apesar de a amostragem envolver apenas dois estados brasileiros, o relato imediatamente foi assumido pelos delegados ao Congresso dos Jornalistas de Santa Catarina – que aconteceu de 23 a 25 de julho – evidenciando assim que esta é uma situação que se expressa em todo o país. Segundo Heloani, a mídia é um setor que transforma o imaginário popular, cria mitos e consolida inverdades. Uma delas diz respeito à própria visão do que seja o jornalista. Quem vê a televisão, por exemplo, pode criar a imagem deformada de que a vida do jornalista é de puro glamour. A pesquisa de Roberto tira o véu que encobre essa realidade e revela um drama digno de Shakespeare. Nela, fica claro que assim como a mais absoluta maioria é completamente apaixonada pelo que faz, ao mesmo tempo está em sofrimento pelo que faz, o que na prática quer dizer que, amando o jornalismo eles não se sentem fazendo esse jornalismo que amam, sendo obrigados a realizarem outra coisa, a qual odeiam. Daí a doença! Um dado interessante da pesquisa é que a maioria do pessoal que trabalha no jornalismo é formada por mulheres e, entre elas, a maioria é solteira, pelo simples fato de que é muito difícil encontrar um parceiro que consiga compreender o ritmo e os horários da profissão. Nesse caso, a solidão e a frustração acerca de uma relação amorosa bem- sucedida também viram foco de doença. Heloani percebeu que as empresas de comunicação atualmente tendem a contratar pessoas mais jovens, provocando uma guerra entre gerações dentro das empresas. Como os mais velhos não tem mais saúde para acompanhar o ritmo frenético imposto pelo capital, os patrões apostam nos jovens, que ainda tem saúde e são completamente despolitizados. Porque estão começando e querem mostrar trabalho, eles aceitam tudo e, de quebra, não gostam de política ou sindicato, o que provoca o enfraquecimento da entidade de luta dos trabalhadores. “Os patrões adoram, porque eles não dão trabalho”. Outro elemento importante desta “jovialização” da profissão é o desaparecimento gradual do jornalismo investigativo. Como os jornalistas são muito jovens, eles não têm toda uma bagagem de conhecimento e experiência para adentrar por estas veredas. Isso aparece também no fato de que a procura por universidades tradicionais caiu muito. USP, Metodista ou Cásper Líbero (no caso de São Paulo) perdem feio para as “uni”, que são as dezenas de faculdades privadas que assomam pelo país afora. “É uma formação muitas vezes sem qualidade, o que aumenta a falta de senso crítico do jornalista e o torna mais propenso a ser manipulado”. Assim, os jovens vão chegando, criando aversão pelos “velhos”, fazendo mil e uma funções e afundando a profissão. Um exemplo disso é o aumento da multifunção entre os jornalistas mais novos. Eles acabam naturalizando a idéia de que podem fazer tudo, filmar, dirigir, iluminar, escrever, editar, blogar etc… A jornada de trabalho, que pela lei seria de 5 horas, nos dois estados pesquisados não é menos que 12 horas. Há um excesso vertiginoso. Para os mais velhos, além da cobrança diária por “atualização e flexibilidade”, há sempre o estresse gerado pelo medo de perder o emprego. Conforme a pesquisa, os jornalistas estão sempre envolvidos com uma espécie de “plano B”, o que pode causa muitos danos a saúde física e mental. Não é sem razão que a maioria dos entrevistados não ultrapasse a barreira dos 20 anos na profissão. “Eles fatalmente adoecem, não agüentam”. O assédio moral que toda essa situação causa não é pouca coisa. Colocados diante da agilidade dos novos tempos, da necessidade da multifunção, de fazer milhares de cursos, de realizar tantas funções, as pessoas reprimem emoções demais, que acabam explodindo no corpo. “Se há uma profissão que abraçou mesmo essa idéia de multifunção foi o jornalismo. E aí, o colega vira adversário. A redação vive uma espécie de terrorismo às avessas”. Conforme Heloani, esta estratégia patronal de exigir que todos saibam um pouco de tudo nada mais é do que a proposta bem clara de que todos são absolutamente substituíveis. A partir daí o profissional vive um medo constante, se qualquer um pode fazer o que ele faz, ele pode ser demitido a qualquer momento. “Por isso os problemas de ordem cardiovascular são muito frequentes. Hoje, Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs) e o fenômeno da morte súbita começam a aparecer de forma assustadora, além da sistemática dependência química”. O trabalho realizado por Roberto Heloani verificou que nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro 93% dos jornalistas já não tem carteira assinada ou contrato. Isso é outra fonte de estresse. Não bastasse a insegurança laboral, o trabalhador ainda é deixado sozinho em situações de risco nas investigações e até na questão judicial. Premidos por toda essa gama de dificuldades os jornalistas não tem tempo para a família, não conseguem ler, não se dedicam ao lazer, não fazem atividades físicas, não ficam com os filhos. Com este cenário, a doença é conseqüência natural. O jornalista ganha muito mal, vive submetido a um ambiente competitivo ao extremo, diante de uma cotidiana falta de estrutura e ainda precisa se equilibrar na corda bamba das relações de poder dos veículos. No mais das vezes estes trabalhadores não têm vida pessoal e toda a sua interação social só se realiza no trabalho. Segundo Heloani, 80% dos profissionais pesquisados têm estresse e 24,4% estão na fase da exaustão, o que significa que de cada quatro jornalistas, um está prestes a ter de ser internado num hospital por conta da carga emocional e física causada pelo trabalho. Doenças como síndrome do pânico, angústia, depressão são recorrentes e há os que até pensam em suicídio para fugir desta tortura, situação mais comum entre os homens. O resultado deste quadro aterrador, ao ser apresentado aos jornalistas, levou a uma conclusão óbvia. As saídas que os jornalistas encontram para enfrentar seus terrores já não podem mais ser individuais. Elas não dão conta, são insuficientes. Para Heloani, mesmo entre os jovens, que se acham indestrutíveis, já se pode notar uma mudança de comportamento na medida em que também vão adoecendo por conta das pressões. “As saídas coletivas são as únicas que podem ter alguma eficácia”, diz Roberto. Quanto a isso, o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, Rubens Lunge, não tem dúvidas. “É só amparado pelo sindicato, em ações coletivas, que os jornalistas encontrarão forças para mudar esse quadro”. Rubens conta da emoção vivida por uma jornalista na cidade de Sombrio, no interior do estado, quando, depois de várias denúncias sobre sobrecarga de trabalho, ele apareceu para verificar. “Ela chorava e dizia, `não acredito que o sindicato veio´. Pois o sindicato foi e sempre irá, porque só juntos podemos mudar tudo isso”. Rubens anda lembra dos famosos pescoções, praticados por jornais de Santa Catarina, que levam os trabalhadores a se internarem nas empresas por quase dois dias, sem poder ver os filhos, submetidos a pressão, sem dormir. “Isso sem contar as fraudes, como a do Diário do Oeste, em Concórdia, que não tem qualquer empregado. Todos foram transformados em sócios-cotistas. Assim, ou se matam de trabalhar, ou não recebem um tostão”. A pesquisa de Roberto Heloani é um retrato vivo, chaga aberta, de uma realidade nacional. Os jornalistas espelhados aqui têm uma única opção: lutar de forma conjunta, unificados e dentro dos sindicatos. As derrotas vividas com a decisão do STF fragilizam e consomem ainda mais os profissionais, mas, a história humana está aí para mostrar que só a luta muda as coisas. Saídas individuais podem servir a um ou outro, mas quando uma categoria luta junto, ela vence! Assim é!

GUARDANAPOS MILIONÁRIOS

Na década de 70, eu e o jornalista Antônio Carlos Yazbek, resolvemos acampar numa praia chamada Domingas Dias, uma das mais bonitas e mais desertas do litoral paulista. Depois de algumas horas de asfalto pela Via Dutra, enveredamos para um pequeno vilarejo e daí, por uma precaríssima estrada de terra, chegando num verdadeiro paraíso. De mochila e barraca nas costas, andamos mais ou menos dois quilômetros e, depois de atravessar um riacho, chagamos à praia. Uma barra.

Para armar as barracas foi outro sufoco. Finalmente, como estava anoitecendo, fomos brindados com a visita dos mais variados  tipos de mosquitos, Ocorre que eu, além de hipocondríaco de carteirinha, sou um comodista incorrigível. Depois de pensar um pouco e pesar os prós e contras, na falta de banheiros e outros incômodos, resolví mudar meu programa. Na entrada da estradinha, tinha visto uma pousada muito bem arranjada para onde me mudei literalmente de mala e cuia.

A dona da pousada era muito boa de papo. Com dez minutos de conversa ficou sabendo de toda minha vida, inclusive minha condição de jornalista. No jantar, depois de sentrar na minha mesa, me contou uma história incrível.

Na época da guerra, seu pai, era dono de um restaurante em Paris, onde recebia regularmente artistas de todo tipo, entre os quais um pintor, refugiado político e membro do Partido Comunista. Normalmente o artista estava duro e, para compensar a generosidade do dono, depois de comer,  pedia um guardanapo, onde fazia um desenho, como forma de pagamento do rango.

Na velhice, sentindo que ia desencarnar, o velho chamou a filha, contou a história do pintor, deixando como herança uma pilha de guardanapos. Morto o velho, a filha se mudou para o Brasil, radicou-se em Sâo Paulo, onde ficou sabendo da Praia Domingas Dias. E resolveu concretizar um velho sonho de comprar uma casa para transforma-la em pousada. Para tanto, vender alguns dos guardanapos, levantando uma baba. Curioso, perguntei-lhe o nome do píntor. E ela, com um sorriso, me levou entrada, onde em uma plana de madeira que me passou despercebida, se lia:  

Pousada Pablo Picasso.

JORNALISMO, UMA DELÍCIA DE PROFISSÃO

SUFOCO DO DIA A DIA.

Por Elaine Tavares.

O psicólogo, professor e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas,
Roberto Heloani, conseguiu levantar um perfil devastador sobre como
vivem os jornalistas e por que adoecem. O trabalho ouviu dezenas de
profissionais de São Paulo e Rio de Janeiro, a partir do método de
pesquisa quantitativo e qualitativo, envolvendo profissionais de
rádio, TV, impresso e assessorias de imprensa. E, apesar de a
amostragem envolver apenas dois estados brasileiros, o relato
imediatamente foi assumido pelos delegados ao Congresso dos
Jornalistas de Santa Catarina – que aconteceu de 23 a 25 de julho –
evidenciando assim que esta é uma situação que se expressa em todo o
país.

Segundo Heloani, a mídia é um setor que transforma o imaginário
popular, cria mitos e consolida inverdades. Uma delas diz respeito à
própria visão do que seja o jornalista. Quem vê a televisão, por
exemplo, pode criar a imagem deformada de que a vida do jornalista é
de puro glamour. A pesquisa de Roberto tira o véu que encobre essa
realidade e revela um drama digno de Shakespeare. Nela, fica claro que
assim como a mais absoluta maioria é completamente apaixonada pelo que faz, ao mesmo tempo está em sofrimento pelo que faz, o que na prática quer dizer que, amando o jornalismo eles não se sentem fazendo esse jornalismo que amam, sendo obrigados a realizarem outra coisa, a qual odeiam. Daí a doença!

Um dado interessante da pesquisa é que a maioria do pessoal que
trabalha no jornalismo é formada por mulheres e, entre elas, a maioria
é solteira, pelo simples fato de que é muito difícil encontrar um
parceiro que consiga compreender o ritmo e os horários da profissão.
Nesse caso, a solidão e a frustração acerca de uma relação amorosa
bem- sucedida também viram foco de doença.

Heloani percebeu que as empresas de comunicação atualmente tendem a  contratar pessoas mais jovens, provocando uma guerra entre gerações
dentro das empresas. Como os mais velhos não tem mais saúde para
acompanhar o ritmo frenético imposto pelo capital, os patrões apostam
nos jovens, que ainda tem saúde e são completamente despolitizados.
Porque estão começando e querem mostrar trabalho, eles aceitam tudo e, de quebra, não gostam de política ou sindicato, o que provoca o
enfraquecimento da entidade de luta dos trabalhadores. “Os patrões
adoram, porque eles não dão trabalho”.

Outro elemento importante desta “jovialização” da profissão é o
desaparecimento gradual do jornalismo investigativo. Como os
jornalistas são muito jovens, eles não têm toda uma bagagem de
conhecimento e experiência para adentrar por estas veredas. Isso
aparece também no fato de que a procura por universidades tradicionais caiu muito. USP, Metodista ou Cásper Líbero (no caso de São Paulo) perdem feio para as “uni”, que são as dezenas de faculdades privadas que assomam pelo país afora. “É uma formação muitas vezes sem qualidade, o que aumenta a falta de senso crítico do jornalista e o
torna mais propenso a ser manipulado”. Assim, os jovens vão chegando,
criando aversão pelos “velhos”, fazendo mil e uma funções e afundando
a profissão.

Um exemplo disso é o aumento da multifunção entre os jornalistas mais
novos. Eles acabam naturalizando a idéia de que podem fazer tudo,
filmar, dirigir, iluminar, escrever, editar, blogar etc… A jornada de
trabalho, que pela lei seria de 5 horas, nos dois estados pesquisados
não é menos que 12 horas. Há um excesso vertiginoso. Para os mais
velhos, além da cobrança diária por “atualização e flexibilidade”, há
sempre o estresse gerado pelo medo de perder o emprego. Conforme a
pesquisa, os jornalistas estão sempre envolvidos com uma espécie de
“plano B”, o que pode causa muitos danos a saúde física e mental. Não
é sem razão que a maioria dos entrevistados não ultrapasse a barreira
dos 20 anos na profissão. “Eles fatalmente adoecem, não agüentam”.

O assédio moral que toda essa situação causa não é pouca coisa.
Colocados diante da agilidade dos novos tempos, da necessidade da
multifunção, de fazer milhares de cursos, de realizar tantas funções,
as pessoas reprimem emoções demais, que acabam explodindo no corpo.
“Se há uma profissão que abraçou mesmo essa idéia de multifunção foi o jornalismo. E aí, o colega vira adversário. A redação vive uma espécie
de terrorismo às avessas”.

Conforme Heloani, esta estratégia patronal de exigir que todos saibam
um pouco de tudo nada mais é do que a proposta bem clara de que todos são absolutamente substituíveis. A partir daí o profissional vive um medo constante, se qualquer um pode fazer o que ele faz, ele pode ser demitido a qualquer momento. “Por isso os problemas de ordem
cardiovascular são muito frequentes. Hoje, Acidentes Vasculares
Cerebrais (AVCs) e o fenômeno da morte súbita começam a aparecer de
forma assustadora, além da sistemática dependência química”.

O trabalho realizado por Roberto Heloani verificou que nos estados de
São Paulo e Rio de Janeiro 93% dos jornalistas já não tem carteira
assinada ou contrato. Isso é outra fonte de estresse. Não bastasse a
insegurança laboral, o trabalhador ainda é deixado sozinho em
situações de risco nas investigações e até na questão judicial.
Premidos por toda essa gama de dificuldades os jornalistas não tem
tempo para a família, não conseguem ler, não se dedicam ao lazer, não
fazem atividades físicas, não ficam com os filhos. Com este cenário, a
doença é conseqüência natural.

O jornalista ganha muito mal, vive submetido a um ambiente competitivoao extremo, diante de uma cotidiana falta de estrutura e ainda precisase equilibrar na corda bamba das relações de poder dos veículos. Nomais das vezes estes trabalhadores não têm vida pessoal e toda a suainteração social só se realiza no trabalho. Segundo Heloani, 80% dos profissionais pesquisados têm estresse e 24,4% estão na fase da exaustão, o que significa que de cada quatro jornalistas, um está
prestes a ter de ser internado num hospital por conta da carga
emocional e física causada pelo trabalho. Doenças como síndrome do
pânico, angústia, depressão são recorrentes e há os que até pensam em
suicídio para fugir desta tortura, situação mais comum entre os
homens.

O resultado deste quadro aterrador, ao ser apresentado aos
jornalistas, levou a uma conclusão óbvia. As saídas que os jornalistas
encontram para enfrentar seus terrores já não podem mais ser
individuais. Elas não dão conta, são insuficientes. Para Heloani,
mesmo entre os jovens, que se acham indestrutíveis, já se pode notar
uma mudança de comportamento na medida em que também vão adoecendo porconta das pressões. “As saídas coletivas são as únicas que   podem teralguma eficácia”, diz Roberto.

Quanto a isso, o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa
Catarina, Rubens Lunge, não tem dúvidas. “É só amparado pelo
sindicato, em ações coletivas, que os jornalistas encontrarão forças
para mudar esse quadro”. Rubens conta da emoção vivida por uma
jornalista na cidade de Sombrio, no interior do estado, quando, depois
de várias denúncias sobre sobrecarga de trabalho, ele apareceu para
verificar. “Ela chorava e dizia, `não acredito que o sindicato veio´.
Pois o sindicato foi e sempre irá, porque só juntos podemos mudar tudo
isso”. Rubens anda lembra dos famosos pescoções, praticados por
jornais de Santa Catarina, que levam os trabalhadores a se internarem
nas empresas por quase dois dias, sem poder ver os filhos, submetidos
a pressão, sem dormir. “Isso sem contar as fraudes, como a do Diário
do Oeste, em Concórdia, que não tem qualquer empregado. Todos foram transformados em sócios-cotistas. Assim, ou se matam de trabalhar, ou recebem um tostão”.

A pesquisa de Roberto Heloani é um retrato vivo, chaga aberta, de uma
realidade nacional. Os jornalistas espelhados aqui têm uma única
opção: lutar de forma conjunta, unificados e dentro dos sindicatos. As
derrotas vividas com a decisão do STF fragilizam e consomem ainda mais os profissionais, mas, a história humana está aí para mostrar que só a luta muda as coisas. Saídas individuais podem servir a um ou outro,
mas quando uma categoria luta junto, ela vence! Assim é!


 


 

 

500 ANOS DE CORRUPÇÃO

 

 

Foi para isto que fizemos a revolução?

Texto de Mouzar Benedito *

Essa frase foi pronunciada em tom de desencanto por muitos militares quando começaram a pipocar casos de corrupção envolvendo gente da cúpula do governo nos anos 70 e 80. Os decepcionados eram aqueles que acreditaram que em 1964 houvera mesmo uma revolução e que ela viera não apenas para espantar o “fantasma do comunismo”, mas também para acabar com a corrupção. Sentimento semelhante vem agora de gente que entrou na política justamente combatendo tanto a ditadura quanto a corrupção, militantes que se dedicaram por mais de 20 anos ao PT até conseguir colocar um ex-operário na Presidência da República.

          De novo o velho desencanto, o triste espetáculo de ocupantes de altos cargos políticos saindo de suas funções bem mais ricos do que entraram. Um fenômeno tão corriqueiro que pareceu inusitada a volta de Olívio Dutra ao emprego de bancário quando terminou seu mandato de prefeito de Porto Alegre, em 1987. Caso surpreendente num país em que boa parte dos eleitores aceita político que “rouba mas faz”, em que historicamente o ataque aos cofres públicos faz parte do cotidiano, onde a sonegação de impostos por empresas é quase obrigação, e onde até a Igreja chegou a contrabandear usando santos ocos cheios de ouro e pedras preciosas.
          

Uma das conclusões falsas que até parte da mídia abraça é que a corrupção é um fenômeno tipicamente brasileiro. Não é. Ela existe desde muito antes do descobrimento do Brasil e sempre esteve presente em muitas nações e em vários momentos da História. Prova de que ela não é patrimônio exclusivo nosso é uma lista divulgada pela ONG Transparência Internacional, em outubro de 2004, que traz uma espécie de ranking da roubalheira em 146 nações pesquisadas.

          A lista começa pelos países menos corruptos e caminha progressivamente para os mais desonestos, e o Brasil aparece em 59º lugar. Os primeiros são nações com alto grau de desenvolvimento humano e distribuição de renda mais equilibrada. A Finlândia encabeça a lista, como o país menos corrupto do mundo. Nos últimos lugares estão países subdesenvolvidos e com péssima distribuição de renda, como Haiti e Bangladesh.
 

Na carta ao rei, Pero Vaz de Caminha aproveita para pedir a volta a Portugal de seu genro, degredado na África por ter roubado uma igreja e espancado o padre.

          Fica claro que o subdesenvolvimento é um dos fatores importantes para o aumento da corrupção. Países subdesenvolvidos, além do tradicional abuso de poder e outros quesitos, têm fatores institucionais que favorecem a prática, como o excesso de regulamentações. A profusão de leis dá oportunidade para o surgimento de pessoas espertas que se tornam especialistas em decifrá-las e intermediar processos e ações. São pessoas que conhecem o caminho das pedras, sabem quem decide e como manipular as decisões. Esse emaranhado de leis, muito apreciado por certos políticos, traz embutido o velho método de criar dificuldades para vender facilidades.

          Uma corrente de historiadores acredita que a corrupção no Brasil está associada ao emprego de degredados na nossa colonização inicial. No século 16, pessoas que cometeram crimes em Portugal eram condenadas a cumprir suas penas aqui, forma utilizada para povoar com portugueses o Brasil e outras colônias lusitanas. De fato, só com Tomé de Souza, primeiro governador-geral do Brasil, vieram 400 degredados.
          A maioria dos pesquisadores, porém, discorda da afamada periculosidade dos degredados, já que, dado o interesse em mandar muita gente para cá, qualquer pequeno delito era motivo para o degredo. Cerca de 200 crimes eram punidos com o degredo, inclusive o adultério e a cafetinagem. No livro Vadios e Ciganos, Heréticos e Bruxas: os Degredados do Brasil-Colônia, o historiador Geraldo Pieroni afirma que o nascimento do nosso país deveu-se a esses degredados por delitos de ordem religiosa ou moral sem nenhum problema de conduta.

Segundo historiadores, o império que nos descobriu já carregava o germe da corrupção. Na época, Portugal era famoso pela burocracia e pelo desvio de verba.

          Eduardo Bueno, jornalista e pesquisador da nossa história, insiste em ressalvar que é preciso tomar cuidado com generalizações. Ele diz que o problema “não está no degredado e sim nos que tinham o poder de enviar degredados para o Brasil”. Segundo ele, a corrupção brasileira começou mesmo antes do descobrimento, nos impérios português e espanhol.

          Chamados de “impérios papeleiros” por causa da burocracia que criava um amontoado de leis e gerava uma gigantesca estrutura paralela, à margem do poder central, Portugal e Espanha concentravam um núcleo de corrupção muito grande, que incluía desvio de verbas, negociatas e dribles na Justiça. Para Bueno, é nesse tipo de “império papeleiro” que está o germe do sistema corrupto que persiste até hoje nestas terras.

          É comum dizer que no Brasil cadeia é só para os “três pês” (pobres, pretos e prostitutas), referindo-se à impunidade dos ricos. Isso é também uma herança dessa tradição ibérica em que os cavaleiros – ou seja, os ricos que tinham cavalos, contrapondo-se aos peões, que andavam a pé – ficavam por lei isentos das chamadas “penas vis”. Não podiam ser espancados, amarrados em pelourinhos ou condenados à morte. Isso sem contar a venalidade da Justiça e o tráfico de influências, que já aparece nas primeiras linhas a registrar o Brasil.

          A carta de Pero Vaz de Caminha, enviada ao rei Dom Manuel em 1500 para dar a boa nova da descoberta, ou “achamento”, da Terra de Vera Cruz, trazia em seu final um exemplo dessa tradição. Nela, o escriba aproveita a ocasião para pedir a volta a Portugal de seu genro degredado em São Tomé, na África, por ter roubado uma igreja e espancado o padre.

Em uma pesquisa feita em 146 países, o Brasil aparece como o 59º mais corrupto. No topo da lista está a Finlândia. Haiti e Bangladesh são os campeões da roubalheira.

          E já na fundação da nossa primeira capital há um exemplo claro de roubalheira, com superfaturameno na construção de Salvador, por empreiteiras, entre 1549 e 1556. Prática que se alastrou inclusive durante o período de ocupação holandesa, tido erroneamente por muitos como um governo “limpo”. Apesar de o príncipe Maurício de Nassau ser um homem culto e ter trazido cientistas e artistas para Pernambuco, com ele vieram também, como colonizadores, pessoas que, no que tange à malandragem, não ficavam atrás dos portugueses. Aliás, teve origem na Holanda a história de que não existe pecado ao sul do Equador. Aqui valia tudo.

          Como boa tradição ibérica, a corrupção não poderia deixar de continuar com a chegada da família real portuguesa, inculta e grossa, em 1808. Dom João VI é tratado pelos historiadores como sujo e balofo, grosseiro no trato com as pessoas. No tempo em que esteve no Brasil, de 1808 a 1821, a corrupção se alastrou consideravelmente.

          Dom Pedro I, embora mais estadista que seu pai, tinha na conta de seus amigos pessoas muito pouco recomendáveis, que assumiram posições importantes no Império. Uma delas foi o famoso Chalaça, apelido do português Francisco Gomes da Silva, considerado o homem mais poderoso do período. Companheiro de farras de Dom Pedro, ele nomeava e demitia quem queria.
          Ao contrário de seu antecessor, Dom Pedro II foi um homem culto, mecenas, poliglota, apreciador das artes e da ciência… mas sem nenhuma aptidão para governar. Ficava enfastiado com as coisas do Estado. Assim, fazia vistas grossas para os desmandos e a corrupção, inclusive eleitoral. Por isso era chamado de “Pedro Banana”. Seu reinado era repleto de festas, que aconteciam como se o país estivesse às mil maravilhas. Depois de 1884, seu governo foi ficando insustentável, em grande parte por causa da chamada “Questão Militar”, que teve como estopim a descoberta de irregularidades num destacamento do Exército no Piauí.
           Segundo Nelson Werneck Sodré em seu livro A História Militar do Brasil, diversos fornecedores do Exército enriqueceram bastante durante o Império, passando recibo de mercadorias que nunca entregaram ou entregaram em quantidade ou qualidade diferente do especificado. O historiador conclui: “Chega-se a ter a impressão de que, de cada dez indivíduos, nove eram desonestos ou dissidiosos na defesa da moralidade administrativa das Forças Armadas. Os que discordavam eram poucos e considerados criadores de caso”. O imperador permanecia alheio a tudo isso.

          A República não mudou muito essa história. Tanto a desonestidade continuou que as mudanças radicais de governos sempre tiveram entre as causas motivadoras – pelo menos nos discursos – o combate à corrupção. Isso ocorreu, por exemplo, em 1930 e 1964. Sem contar que desde o governo Jânio Quadros, que foi eleito tendo como símbolo uma vassoura, que seria usada para “varrer” os corruptos do governo anterior, quase todos que ocuparam o poder pela via eleitoral falavam em combate à corrupção do seu antecessor. Fernando Collor de Mello combateria a corrupção de José Sarney, Fernando Henrique Cardoso combateria corrupções anteriores e Lula viria a acabar com a corrupção do período FHC.

          Nem tudo, porém, foi inútil. Um caso exemplar foi o impeachment de Fernando Collor, em 1992. Poucos meses antes, em maio daquele ano, o empresário Emílio Odebrecht tentava justificar a corrupção como um hábito alastrado em toda a população em uma entrevista ao Jornal do Brasil: “Eu acho que a sociedade brasileira toda é corrompida e corrompe.

          Hoje, para o sujeito resolver alguma coisa, até para sair de uma fila do INPS, encontra seus artifícios de amizade, de um presente ou de um favor. Isso é considerado um processo de suborno. O suborno não é um problema de valor, é a relação estabelecida”.
          O afastamento de Collor trouxe ânimo novo no combate à roubalheira no Brasil, mas os cinco séculos de assalto aos cofres públicos provam que não será fácil vencê-la. Como dizia o ex-ministro Paulo Brossard no tempo do fim da ditadura: “A democracia no Brasil é relativa, mas a corrupção é absoluta”.

COMO ENGANAR O GRANDE PÚBLICO

 

10 Estratégias de manipulação da midia.

 O linguista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia:

 1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

 2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.

Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

 3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

  5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

 6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

 7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

 8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.

Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

 9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!

 10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

CONTRASTE

T

Foto Elza Fiuza

 

Tenho alguns amigos famosos que, de vez em quando, frequentam minha casa. Entre estes, o cacique Raoni e o grande bruxo do som,  Hermeto Paschoal. Outro dia, num dos muitos almoços com música, os dois se encontraram de forma inusitada.

Raoni tinha chegado mais cedo, almoçado e estava tirando uma sesta na minha rede, quando Hermeto chegou. Depois de falar com a galera e almoçado, levei-o até o quarto, dizendo:

- Hermeto, sabe quem está naquela rede, dormindo? O cacique Raoni.

E ele:

-Aquele do Sting? Eu tinha a maior vontade de conhece-lo.

E logo em seguida, com o som que começou a rolar, Raoni acordou. Levatou da rede, colocou o batoque e o cocar, pegou o cachimbo e saiu da penumbra do quarto para a clareza da tarde, meio estrunhado. Chamei-o para apresentar o Hermeto e rolou o seguinte diálogo:

- Raoni, este é Hermeto Paschoal, considerado como um dos maiores e mais completos músicos do mundo.

A apresentação, meio pomposa, não impressionou muito o velho cacique, que limitou-se a balançar, de forma cordial, a cabeça e ir em busca de café. Mas já no jardim, com a vista acostumada com a claridade, procurou novamente Hermeto, não pela música, mas pela diferença da tonalidade de cores entre ambos, que procurou conferir de perto. Em seguida, como de hábito, disse que tinha que ir embora e se mandou. Hermeto, meio desconsolado, teve uma grande tirada:

-Chico, pede para ele ficar mais. Sou mitômano e tinha a maior vontade de conhece-lo.

Mas o cacique já ia longe;

Elza, atenta com sua máquina, registrou tudo.    

       

COMO LIMPAR UMA FICHA SUJA

Como limpar a ficha de um político? A historinha que me envia o cientista político Cyro Junqueira serve para ilustrar a tese de que nem sempre a história que conhecemos se passou daquele jeito. A fato é antigo mas pode fornecer valiosos subsídios aos políticos de um certo país.

Judy Wallman é uma pesquisadora na área de genealogia nos Estados Unidos. Durante pesquisa da árvore genealógica de sua família deu de cara com uma informação interessante. Um tio-bisavô, Remus Reid, era ladrão de cavalos e assaltante de trens. No verso da única foto existente de Remus (em que ele aparece ao pé de uma forca) está escrito: “Remus Reid, ladrão de cavalos,mandado para a Prisão Territorial de Montana em 1885, escapou em 1887, assaltou o trem Montana Flyer por seis vezes. Foi preso novamente, desta vez pelos agentes da Pinkerton, condenado e enforcado em 1889.”

Acontece que o ladrão Remus Reid é ancestral comum de Judy e do senador pelo estado de Nevada, Harry Reid. Então Judy enviou um email ao senador solicitando informações sobre o parente comum. Mas não mencionou que havia descoberto que o sujeito era um bandido.

A atenta assessoria do Senador respondeu desta forma: “Remus Reid foi um famoso cowboy no Território de Montana. Seu império de negócios cresceu a ponto de incluir a aquisição de valiosos ativos eqüestres, além de um íntimo relacionamento com a Ferrovia de Montana. A partir de 1883 dedicou vários anos de sua vida a serviço do governo, atividade que interrompeu para reiniciar seu relacionamento com a Ferrovia. Em 1887 foi o principal protagonista em uma importante investigação conduzida pela famosa Agência de Detetives Pinkerton. Em 1889, Remus faleceu durante uma importante cerimônia cívica realizada em sua homenagem, quando a plataforma sobre a qual ele estava cedeu.”

TANCREDO: UM GÊNIO EM POLÍTICA

Este negócio da galera vaiar autoridade é coisa antiga. Antecede a velha frase do anarquista espanhol: Hay gobierno? Soy contra! Eça de Queiroz, no romance “A Ilustre Casa dos Ramires”, descreve a delicada situação de um político de província que, depois de derrotado em uma eleição, foi obrigado a embarcar na estação ferroviária, sob uma grande vaia, tendo como arremate humilhante um coro de foguetes de assovio.

     O diabo é quando os apupos vem antecedidos de tortas na cara, como já aconteceu com o ex-ministro Tony Blair, o magnata Bill Gates, alguns políticos americanos e outras figurinhas carimbadas na mídia internacional.
     Sobre o tema o doutor Tancredo, numa das muitas conversas que tivemos, contou ao jornalista José Márcio Mendonça e a mim, uma história que é uma verdadeira lição de sagacidade política, mostrando como um quadro acachapante de vaias pode ser revertido, desde que o prócer vaiado tenha a seu lado bons auxiliares. Como no caso que me foi relatado pelo ex-presidente Tancredo Neves.

    Getúlio Vargas era o presidente e Tancredo seu ministro da Justiça. Estavam embarcando para São Paulo, para assistir o Sweepstake, maior evento social da época, no Jockey Ckub. A caminho do DC-3 (naquela época ainda não existia similares do Aerolula) o Ajudante-de-ordens lhe entrega um telegrama. Era do gabinete do governador Lucas Nogueira Garcez, informando que a oposição estava preparando um grande vaia para Getúlio, tão logo a comitiva aparecesse na Tribuna de Honra.

     Tancredo mostrou a mensagem a Getúlio, que lhe perguntou se deveriam cancelar a viagem. A resposta foi magistral:

- Não, Presidente. Vamos manter a agenda. Afinal os homens públicos não foram feitos só para os aplausos.

     No Jockey tudo aconteceu exatamente como tinha sido anunciado. Tão logo a comitiva apareceu na tribuna, com Getúlio, na frente, ladeado por Garcez e Tancredo, estourou uma tremenda vaia de quase quinze minutos. Getúlio acendeu, sorridente, um charuto e esperou que a galera da oposição parasse.

    Cessado o último assovio, Tancredo comentou, displicentemente, para um grupo de jornalistas que tinha autorizado entrar com a comitiva e que, de forma estratégica tinha colocado a seu lado:

     -Eu não sabia que a popularidade do governador estava tão baixa.

     E como vaia não tem endereço, no dia seguinte as manchetes foram no mesmo tom:

“Garcez vaiado no Jockey Club”.

SE GRITAR PEGA LADRÃO…

Não sei se já contei esta. Mesmo que tenha contado, em homenagem ao horário eleitoral gratuito e aos últimos eventos no Congresso, como a exigência da ficha limpa, vale à pena relembrar.

Nos idos de 80, em Rondônia, Chico Araújo era secretário de agricultura do governo. Agrônomo competente, técnico da melhor qualidade, tinha verdadeira aversão por política. Mas convivia bem com os políticos, até pela necessidade de sobrevivência.
Conversava com os vereadores dos mais variados municípios, ouvia suas reivindicações, assim como as dos deputados estaduais e federais. E ia fazendo o meio de campo do governo e do governador. Mas sem se preocupar, conforme dizia aos amigos, “em entender como se faz ou ajuda a fazer boca de urna”.
Mas o forte do Chico era seu diálogo com a arraia miúda. Não tinha uma beira de estrada ou grotão em que não conhecesse os agricultores pelo nome. Sem falar nos membros da família. Um político modelado, um talento desperdiçado.
Numa das constantes viagens que fazia ao interior, num fim-de-semana de um período de campanha eleitoral, o secretário parou em dos botecos da beira da estrada, onde um grupo, movido à pinga e buchada de bode, discutia acaloradamente os rumos da política e a salvação da lavoura e da Pátria. O diálogo que se seguiu é altamente elucidativo de como o povão raciocina e analisa o horário eleitoral.
Depois dos cumprimentos efusivos e de oferecida uma lambada, acolitada por um generoso prato da buchada, um dos líderes do grupo mandou:
-Secretário, porque o senhor não se candidatou?
E o Chico:
-Porque, conforme já disse a vocês muitas vezes, de política eu quero distância. Minha praia são os adubos, as sementes e as colheitas.

E o cabo eleitoral, frustrado, defendendo a necessidade de melhorar o plantel, foi direto:

-É uma pena. Toda noite eu ligo a televisão no jornal, assisto o programa eleitoral gratuito e vejo tanto cabra safado, tanto ladrão falando. Só não vejo o senhor.

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